domingo, 6 de dezembro de 2009

061209 - Doenças do Humor II - Depressão na Infância e Adolescência - Por César Mousinho

Quem trabalhar com ludoterapia e grupo de adolescentes em algum momento vai se depara com criança e adolescentes desencadeando depressão ou já depressivos. Temos que ter a responsabilidade profissional pois é sabido que crianças deprimidas têm auto-estima baixa e que falam de si mesmas de modo negativo, se achando ruins, culpadas, fracassadas e preteridas pela família, muitas vezes sentindo que ninguém se preocupa com elas. A relação apetite e peso pode variar. Igualmente, queixas de pesadelos ou de despertares noturnos são freqüentes, bem como insônias. O aumento da distração e a dificuldade de memorização são comuns e levam a um comprometimento do desenvolvimento escolar, podendo confundir a depressão com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Os adolescentes deprimidos relatam claramente sentimentos depressivos como a desesperança e a dificuldade de concentração e freqüentemente se mostram irritados e hostis e idéias de suicídio ocorrem. Aumento ou diminuição do peso, apetite e da quantidade de sono podem variar, bem como é visto graus variados de falta de energia e desinteresse pelas atividades antes prazerosas. Isolamento social voluntário é freqüente. Igualmente, o uso e abuso de substâncias psicoativas é comumente observado.

Pensamentos de suicídio são encontrados em todas as idades. Cumpre ressaltar que cerca da metade dos casos de transtornos afetivos têm um outro diagnóstico emocional em comorbidade, como por exemplo, algum tipo de transtorno de ansiedade. A associação desses dois transtornos é tão grande que sintomas de ansiedade na infância podem ser sinal preditivo mais eficiente par depressão do que para transtornos de ansiedade. Estressores psicossociais, presença simultânea de outros transtornos psicologicos ou doença crônica são fatores doença risco para depressão em crianças e adolescentes. O diagnóstico precoce pode mudar o futuro da criança, evitando prejuízos ao desenvolvimento e favorecendo a elaboração de vivencias relacionadas aos transtornos afetivos. anifestações na fase pré-verbal : expressão facial, postura corporal, inquietação, retraimento, choro, recusa de alimentos, apatia, perturbações do choro e resposta diminuída aos estímulos visuais e verbais Fase precolar : dores abdominais, peso abaixo da idade, fisionomia triste, amentação,irritabilidade, diminuição do apetite, agitação psico-motora ou hiperatividade, transtornos do sono, ansiedade, balanceios, movimentos repetitivos, agressividade auto e hetero e sempre ficar se colocando em situações de perigo, ou manifestando medos difusos. Progredindo pode haver regressão da linguagem, ecolalia e enurese. Manifestações de dependência xcessiva, ansiedade de separação, controle precário de impulsos e desmodulação afetivo-emocional. De 6 a 12 anos : tristeza, choro fácil, apatia, movimentação lenta, voz monótona, falam de modo desesperançoso e sofrido, falam sobre si mesmas em termos negativos: “sou ruim mesmo”, “ninguém se preocupa comigo”. Baixa auto-estima, auto crítica exagerada, pensamentos de suicídio ou morte. Humor irritadiço ou instável. Perda de interesses. Deterioração escolar. Medos difusos. Dores de cabeça e abdominal. (3%) De 12 a 16 anos : sentimentos depressivos de desesperança, dificuldades de concentração, tentativas de suicídio. Insônia ou hipersonia, alterações no apetite, provocando alterações no peso, perda de energia e desinteresse pelas atividades diárias e extracurriculares. Irritabilidade quase sempre presente. Pode iniciar uso de drogas e uso abusivo de remédios.(8%) De 16 a 21 anos : Risco aumentado de suicídio, por haver maior facilidade, anedonia, irritabilidade,crises de choro, isolamento, uso abusivo de drogas. (12%) A irritabilidade é o sintoma que + diferencia a depressão na infância/adolescência da do adulto. A depressão na criança ocorre na mesma incidência nos dois sexos. Na adolescência (= nos adultos), é duas vezes mais freqüente na mulher. SUICÍDIO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA CONSCIENTE : refletido,voluntário, intencional
INCONSCIENTE : se expõe a situações de risco, acidentes freqüentes,Importante nos conscientizarmos que as crianças podem se matar. 1982 - Campinas - Dr. Cassorla :150 tentativas de suicídio para cada 100 mil/hab/ano levando-se em consideração o “suicídio inconsciente “ esta taxa subiria para muito mais. Os casos geralmente são escondidos pelas famílias, pela sociedade, até os médicos escondem,quando não colocam no atestado de óbito a verdadeira causa. Crianças com menos de 5 anos não consideram a morte irreversível. Com 6 anos teme a morte da mãe e não crê na sua própria Com 7 anos pensa na morte como algo humano, mas só vagamente que um dia morrerá Com 8 anos aceita que todos vão morrer um dia e ela também com 9 anos passa a aceitar a idéia de morte com realismo de caráter biológico. Importante valorizar uma primeira tentativa de suicídio como um desejo real de morte, para prevenir as futuras. O método + usado por crianças maiores de 7 anos é o de ingestão de medicamentos. As crianças menores parecem associar mais morte com violência e procuram se jogar de lugares altos,facas,enforcamentos ou se jogarem embaixo de veículos. Importante ao dar a notícia de morte para as crianças, enfatizar o fato de que o morto não voltará mais. Alguns relatos indicam que várias crianças procuraram a morte na esperança de encontrar um ente querido que morreu, ou de voltar a uma situação anterior de vida que era melhor com a presença deste ente. Isto muitas vezes é decorrente de idéias transmitidas às crianças como : foi para o céu, não sofre mais,não tem problemas mais, fora o fato de que todo mundo que morre vira “gente boa”,são idéias que as crianças assimilam ao pé da letra. A conduta mais viável num funeral, seria a criança poder ter um contacto breve com a situação para poder perguntar sobre a morte e não ficar com fantasias de culpas, de abandono, ou mesmo de reencontro a curto prazo. Mentir ou esconder não tem sentido e só favorece a possibilidade da não elaboração do conceito
de morte. Tratamento os pais e os profissionais como professores, psiquiatras e psicólogos, devem observar de perto as crianças e adolescentes, estando atentos para possíveis alterações da pior do estado de humor.

São Paulo, 05/12/09**SIM AS BOAS FESTAS**NÃO AO ATO MÉDICO.

www.sosdrogasealcool.org

4 comentários:

Franciele Psic disse...

Excelente artigo, embora pouco abordado dentro da mídia comparando com a importância do fato. É primordial abrir-mos e ampliar-mos nossos olhares para as demandas infantis, muitas vezes pré-julgamos uma atitude infantil sem sabermos a realidade,muitos comportamentos infantis são manifestações do sintoma da criança.

Herbert Lisboa Torres disse...

O estudo da depressão requer a responsabilidade nao somente como profissional da área específica mas como ser humano devemos cuidar melhor de nossas pessoas. O texto do nosso amigo César Mousinho mostra um aprofundamento e qualidade que merecem ser analisados por todos nós para que possamos ajudar melhor e mais as pessoas. Parabéns, César.

Maria disse...

Parabéns César, muito profundo e elucidativo seu artigo.
Abraços e parabéns novamente!
Salette

Antonio Correia Lima disse...

Agradeço as visitas e comentários da Franciele, Herbert e Maria

Antonio Correia Lima - Responsável pelo Blog