terça-feira, 28 de julho de 2009

280709 - Aniversário de morte de Lampião é rememorado

Grupo de barcamateiros vestidos a caráter participaram da solenidade de abertura do seminário sobre o aniversário de morte de Lampião (Foto: Antônio Vicelmo)

Passados 71 anos da morte de Lampião, a realidade do sertão nordestino não mudou muito, segundo escritoresSerra Talhada. Com tiros de bacamarte, mosquetão, cravinote e uma densa nuvem de fumaça, foi aberta a programação comemorativa aos 71 anos da morte de Lampião, no Sítio Passagem das Pedras, a 40 quilômetros de Serra Talhada, onde nasceu o “Rei do Cangaço”, no dia 7 de julho de 1897. Ele morreu em 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, município de Poço Redondo, Sergipe. Depois de 71 anos de sua morte, a alma do “Rei do Cangaço” parece ainda vaguear pelo sertão, motivando amor e ódio, crueldade e heroísmo.
Mesmo em Serra Talhada, reduto de cangaceiros, as opiniões se dividem. Ainda existem marcas de sangue deixadas por seu filho ilustre. Para muitos, um assassino sanguinário que aterrorizava o sertão com seu bando. Para outros, um herói popular que defendia os oprimidos contra a força dos coronéis. “Quem foi o verdadeiro Lampião e qual a sua importância agora é uma discussão para a história”, afirma o escritor Anildomá Wilians, promotor do seminário que debateu a vida de Virgulino Ferreira. “O fato é que Lampião reinou na década de 30 no Nordeste, dando sustentação a um movimento controverso e pouco estudado”, afirma ele.
InfluênciaO evento foi promovido pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, com a participação de escritores do cangaço, entre os quais Alcino Costa, Adriano Marcena, Paulo Moura, José Alves Sobrinho, Anildomá Willans, Luís Rubem e os cearenses Magérbio Lucena e Antônio Vicelmo. O seminário apontou a influência de Lampião na cultura popular e atiçou a imaginação sobre os “mistérios” que povoam o sertão, quando se fala do “Comandante das Caatingas”.O escritor Alcino Costa, ex-prefeito de Poço Redondo e autor do livro “Lampião, além da Versão”, levantou a hipótese, não confirmada pelos historiadores, de que Lampião não teria morrido em Angicos. A maioria dos debatedores reafirmou a versão oficial de que o Rei do Cangaço foi morto em Angicos com mais dez cangaceiros, inclusive a mulher, Maria Bonita. O combate durou somente 10 minutos. Os policiais tinham a vantagem de quatro metralhadoras Hotkiss. Os 11 cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas e expostas à execração pública. Maria Bonita foi degolada viva. Os outros conseguiram escapar.O escritor cearense Magérbio Lucena, autor do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”, diz que passados 71 anos da morte de Virgulino, a realidade do sertão nordestino, principalmente em Pernambuco, não mudou muito. Os cangaceiros foram substituídos pelos pistoleiros de aluguel, o tráfico de maconha.Os cangaceiros de ontem, segundo Magérbio, estão nas favelas das grandes cidades. “Os coronéis de antigamente hoje estão espalhados e infiltrados nos três poderes, gozando de foro privilegiado. A seca ainda vitima milhões de sertanejos”, analisa o escritor regional.Magérbio lembra que, na década de 1920, a concentração da população era de 80% no campo e 20% na cidade. O quadro está invertido. Segundo avalia, grandes quadrilhas abandonaram o vagar inseguro dos campos pelas cidades, onde se dedicam aos mais variados ramos da criminalidade e de onde se deslocam de vez em quando para o interior.“No Nordeste, as estradas continuam tão ou mais inseguras do que no tempo do cangaço e as agências bancárias das pequenas cidades do Interior são alvos freqüentes das quadrilhas que, ao invés de fuzis ‘mauser’, usam fuzis AR-15 e metralhadoras portáteis”.Mais informações:


Fundação Cultural Cabras de Lampião, Pontos de Cultura Artes do Cangaço(87) 3831.2041cabrasdelampiao@bol.com.brANTÔNIO VICELMORepórter
EXTRAIDO DO DIARIO DO NORDESTE

Um comentário:

A.Morais disse...

Antonio.

Estou postando no Sanharol um pouco da historia do cangaço, ja estou no XIV texto. Estou escrevento sobre a tentativa frustrada de invadir Mossoró.