sexta-feira, 26 de junho de 2015

HISTÓRIAS DE JOAQUIM VALDEVINO DE BRITO –



 por Stela Maria Siebra Brito

Quando éramos crianças papai reunia a meninada ao seu redor e, sob a luz de um candeeiro de querosene, costumava nos contar fabulosas histórias de trancoso, cheias da riqueza, da magia e do encanto do imaginário proveniente da nossa herança indígena, africana e portuguesa.
Grande fascínio aquelas histórias exerciam sobre nós! 
Depois, quando já éramos todos adultos, papai nos emocionou contando histórias reais: as da sua vida. Eram histórias simples do cotidiano de um sertanejo, histórias que retratavam a singeleza da vida daqueles que aguardam a chegada do inverno para plantar e garantir a sobrevivência da família, histórias repletas de lições práticas de um homem que desde criança buscava alternativas criativas para vencer as adversidades da vida.
Das muitas histórias que Joaquim Valdevino contava, queremos destacar especialmente uma que traduz bem seu espírito de luta, de fé e confiança no trabalho.

Era o final de um ano seco e não adiantava plantar nada, pois todos falavam que não adiantava, “só se ia perder semente...”
Mas ele não se conformava com aquela pasmaceira de estiagem prolongada, não podia ficar sem fazer nada, só olhando para um céu sem nuvens e sem promessa de chuvas. Estava para chegar um novo ano...  quem sabe não chovia em janeiro, fevereiro ou em  março, com as bençãos de São José? 
Vislumbrou em sua mente o branco de um algodoal.  Seu coração acatou com confiança a ideia e sua vontade imperiosa entrou em ação: preparou a terra e plantou as sementes de algodão.
As pessoas não acreditavam naquela tentativa, mas Joaquim era obstinado...
Entrou o novo ano e houve uma mudança no tempo. Soprou um vento que prometia chuva, e que caiu no chão como dádiva preciosa para aqueles que acreditaram e plantaram. A chuva não foi muita, porém foi suficiente para segurar o algodão.
O algodoal de Joaquim, naquele ano, não só enfeitou a sombria paisagem sertaneja, como garantiu comida na mesa e aquisição de sementes para o próximo inverno.

Obrigado Joaquim Valdevino por nos ter ensinado, com sua história de vida, que, frente às dificuldades, não devemos bloquear nossa fonte de ideias e cruzar os braços:
É PRECISO PLANTAR ALGODÃO!


UMA HOMENAGEM DE GRATIDÃO DOS SEUS FILHOS: 




Maricelli, Rosa Maria, Rocélio, Antônio Augusto, Pedro Elmano (em memória), Rui, José Humberto, Stela, José Jucélio, Lúcia, Francisco, Jacinta e Melânia. 

3 comentários:

Stela disse...

Ótima reportagem Toinho. Parabéns e muito grata.
stela

Homero Lobo disse...

Tem alguém aí que até hoje mora no coração de minha mãe.

Homero Lobo disse...

Tem alguém aí que até hoje mora no coração de minha mãe.